Massacre em assentamento no Mato Grosso mata dez

Número de assassinatos por conflito de terra aumentou 22% em 2016

Pelo menos 10 pessoas foram assassinadas nesta quinta-feira (20), em um assentamento no município de Colniza (MT), a 1.065 km de Cuiabá, próximo ao distrito de Guariba, em uma gleba denominada Taquaruçu do Norte. Entre os mortos também estão idosos e crianças.  De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso, o massacre feito por “encapuzados”.

O governo mato-grossense enviou ao local policiais militares e civis lotados na cidade de Colniza, que fica a 250 km da sede do município, mas o local é de difícil acesso e ainda não há informações complementares sobre o massacre.

Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), conflitos fundiários são comuns na gleba onde ocorreram as mortes há mais de dez anos, com ocorrências de assassinatos e agressões. A CPT informou ainda que investigações policiais feitas nos últimos anos têm apontado que “os gerentes das fazendas na região comandavam rede de capangas para amedrontar e fazer os pequenos produtores desocuparem suas terras”.

Relatório “Conflitos no Campo Brasil 2016″, lançado na segunda-feira (17/03) pela CPT, revelou que o Brasil registrou 1536 conflitos relacionados a terra, trabalho e água, em 2016, 26,2% a mais do que em 2015. Os assassinatos também aumentaram: de 50 em 2015, para 61, um acréscimo de 22%. Já os conflitos relacionados exclusivamente a terras ocupadas por indígenas, camponeses e quilombolas somam 1295 e envolvem 687 mil camponeses.

 Com informações da Agência Brasil

Em nota, bispo emérito Dom Pedro Casaldáliga lamenta chacina em Colniza e alerta para risco de novos massacres

Por meio de nota, a Prelazia de São Félix do Araguaia, cujo bispo emérito é Dom Pedro Casaldáliga, reconhecido internacionalmente pela luta em defesa dos povos indígenas e contra a violência dos conflitos agrários, lamentou a chacina ocorrida em Taquaruçu do Norte, a 350 km de Colniza, município a 1.065 km de Cuiabá, e alertou para o risco de novos massacres. Nove trabalhadores rurais foram assassinados na última quarta-feira (19), possivelmente por causa de conflito de terras na região.

Segundo a perícia oficial, os corpos tinham sinais de tortura. As vítimas são homens com idade entre 23 e 58 anos. As informações até agora são de que eles estariam iniciando um loteamento irregular e que quatro homens encapuzados entraram nos barracos erguidos na área e executaram quem estava neles. O clima em Taquaraçu do Norte, onde moram cerca de 100 famílias, é de medo. A segurança no local foi reforçada.

Dom Pedro Casaldáliga é bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia e luta há décadas contra a violência no campo em Mato Grosso. (Foto: Servicios Koinonia / Divulgação)
Dom Pedro Casaldáliga é bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia e luta há décadas contra a violência no campo em Mato Grosso. (Foto: Servicios Koinonia / Divulgação)

A Prelazia de São Félix do Araguaia disse que as famílias dos agricultores da gleba Taquaruçu têm sofrido violência desde 2004 e que, em 2007, pelo menos dez trabalhadores foram vítimas de tortura e cárcere privado na região e que, naquele mesmo ano, três agricultores foram assassinados.

A nota critica medidas do governo Michel Temer (PMDB), dizendo que violam direitos dos povos do campo e comunidades tradicionais, e que há atualmente um “acirramento do cenários de violações contra os defensores de direitos humanos”. “Diversos políticos expõem abertamente seus discursos de ódio e incitação à violência contra as comunidades que lutam pelos seus direitos”, diz.

A Prelazia de São Félix do Araguaia disse ainda que 2016 foi o mais violento dos últimos 13 anos, que isso aponta para uma perspectiva desoladora no campo e que os ruralistas não temem nada para conseguir as terras que buscam. Denuncia ainda que na região de Colniza há outros conflitos graves desde a década passada e que a população teme que outros massacres possam acontecer.

“Clamamos justiça e que os autores desses crimes sejam processados e punidos. A conseqüente impunidade no campo, fruto da omissão dos órgãos públicos, perpetua a violência”, diz a nota, que lembrou ainda que a chacina ocorreu na semana em que o massacre de Eldorado dos Carajás, na qual 19 pessoas morreram, completou 20 anos.

Investigação
Segundo a perícia, todos os corpos dos trabalhadores tinham sinais de tortura. Alguns foram amarrados e outros decapitados. De acordo com a Polícia Civil, pelo menos duas vítimas foram assassinadas a golpes de facão e o restante por tiros de uma arma calibre 12.

Os trabalhos da perícia foram feitos em um salão ao lado do cemitério de Colniza, para onde foram levados os corpos. Oito das nove vítimas já foram identificadas, sendo que três seriam de Rondônia. A polícia disse acreditar que a nona vítima seja de Alagoas.

Nesse sábado (22), testemunhas começaram a ser ouvidas pela polícia.

Com informações do site G1 – TV Centro América

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