Entrevista: eleições 2018, a hora de escolher seu candidato

Dois anos após o pleito que definiu prefeitos e vereadores, chegou a vez do Brasil escolher seu representante máximo, eleito de 4 em 4 anos. Além do Presidente da República, serão eleitos governadores, senadores, deputados federais e estaduais ou distritais. O primeiro turno acontece no dia 7 de outubro e o segundo, se houver, no dia 28 do mesmo mês. 

Para tratar do assunto e esclarecer alguns pontos sobre as especificidades desta eleição conversamos com o professor Robson Sávio Reis Souza, pós-doutor em Direitos Humanos e doutor em Ciências Sociais. É professor da pós-graduação PUC Minas e coordenador do Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas (Nesp), além de articulista e comentarista em várias mídias e aqui ele aborda temas como fake news, pesquisas e outros assuntos.

1)       O que é imprescindível que um eleitor faça em termos de busca de informação para escolher o seu candidato?

É importante que o eleitor tenha clareza que o pleito deste ano não resolverá, como um passe de mágica, todos os problemas derivados da ruptura democrática e crise institucional havida a partir de 2016. Neste sentido, é fundamental nessas eleições o engajamento cívico de todo eleitor na escolha de candidatos comprometidos com princípios democráticos e republicanos. Não somente nas eleições majoritárias, mas também para as assembleias legislativas e o Congresso Nacional. Assim, além dos canais tradicionais de informação (partidos políticos, propaganda eleitoral, redes sociais) é preciso um esforço para conhecer cada candidato para além do marketing eleitoral. E é fundamental o acompanhamento sistemático dos eleitos. Ou seja, a cidadania política exige um eleitor comprometido com a democracia, a justiça, a igualdade e o bem comum não somente no processo eleitoral.

2)       É correto afirmar que o aumento das intenções de votos nulos e brancos se dá, neste momento, por um desgaste e descontentamento do eleitor em relação ao sistema político brasileiro? Como estes votos, se efetivados, podem intervir nos resultados das eleições?

O desencanto do eleitor com a política tem múltiplas causas: além do descontentamento com o sistema político, há que se considerar a campanha de criminalização da política nos últimos tempos; o distanciamento entre representantes e representados e outros dilemas de uma democracia representativa. O povo se percebe cada vez mais distante das principais decisões políticas. Nessas condições, há uma evidente percepção que os representantes estão mais interessados em defender os interesses de seus financiadores e verdadeiros prepostos, ao invés de atender os interesses populares (para os quais são eleitos). É por isso que se torna fundamental, para a reconfiguração do sistema político, uma reforma política profunda que, entre outras medidas, deveria ampliar mecanismos de democracia direta e criar condições de recall para candidatos que, no exercício do mandato, contrariam suas propostas de campanha.

3)       Como conferir a veracidade de uma informação em tempos de fake news?

As fake news não são novidades nesta campanha eleitoral. Sempre fizeram parte de processos de disputa política e eleitoral. E quanto mais tensa e disputada for uma eleição, mais se utilizam de estratégias de manipulação de notícias e informações. Aliás, o marketing eleitoral se tornou o principal instrumento de produção de fake news à medida que visa a desconstrução e, em alguns casos, a destruição do adversário a qualquer custo. O que ocorre nos últimos tempos é que as redes sociais ampliaram a disputa de narrativas: por um lado se transformaram em um potente instrumento de produção de uma narrativa contrária à mídia tradicional, que sempre atuou de forma interesseira nas eleições e, por outro, também se prestam como instrumento de divulgação em massa de notícias falsas.

Não à toa – e com financiamento nem sempre muito claro – estão sendo criadas agências de caça fake news, muitas delas associadas a poderosos grupos de mídia (que também são produtores de notícias enviesadas na cobertura política).  A pergunta é a seguinte: e quem vigiará aqueles que se dispõem a vigiar as informações sobre eleições por nós? O mais importante, nesses momentos, é checar todas as informações em múltiplas fontes. Se é verdade que há muita notícia falsa em redes sociais, também é verdade que os oligopólios midiáticos têm seus interesses, nem sempre democráticos, nas disputas eleitorais. Assim, o melhor é não se contentar com informações recebidas de quaisquer fontes.  Nesse campo vale a dica: desconfiar e checar sempre.

4)       As pesquisas realizadas no 1º turno em relação às intenções de votos no 2º turno se confirmam ao longo da história brasileira? É seguro seguir essas intenções e orientar seu voto a partir desses índices?

Pesquisas de intenção de voto refletem um dado momento de uma campanha eleitoral; ou seja, a situação no momento da pesquisa. São, simplesmente, indicadores de tendências (de voto, reprovação etc.) do momento pesquisado. Podem indicar tendências, mas em momento algum devem definir cenários eleitorais. O mais importante é o eleitor votar baseado em princípios democráticos e republicanos e não de forma pragmática. Enquanto prevalecer a democracia representativa, mesmo com seus vários vícios e defeitos, o eleitor é o responsável pelos eleitos, ou seja, pelos que definem os rumos de nossos municípios, estados e país. O eleitor não pode delegar para ninguém esse direito que também é um dever cívico.

 

Fonte: Boletim Com Você, IEC/PUC Minas, nº 108. (Disponível em: http://portal.pucminas.br/iec/informativo/materia.php?codigo=1955&materia=27242).

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